terça-feira, 7 de abril de 2009

A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA PARA UMA INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA

A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA PARA UMA INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA

I. A Avaliação Diagnóstica: o que é?
A avaliação diagnóstica tem como função investigar os possíveis sintomas da dificuldade de aprendizagem do sujeito, de modo a se orientar através da relação que o mesmo tem com o conhecimento, ou seja, o fator essencial do problema está intimamente ligado em como ele lida com o conhecimento e com o significado do aprender.
Nesta perspectiva a avaliação configura-se em uma atitude interpretativa, pois procura esclarecer aquilo que está em entrelinhas (oculto), ou por vezes tão claro, mas sem uma resolução para a problemática em questão.
Durante a primeira etapa do trabalho psicopedagógico é imprescindível buscar não apenas as fragilidades, dificuldades que o sujeito tem quando procura ou quando é encaminhado para o psicopedagogo, mas sim, suas potencialidades e capacidades, facilitando na avaliação criando desta forma um vínculo de confiança, posteriormente com o sujeito.
É trabalhado de forma contextualizada a avaliação, já que todo sujeito pertence ao meio social (família religião escola) e que, portanto, a criança por meio de experiências vividas dentro da sociedade que o cerca, que formam redes de conexão que vão se acumulando no sujeito que por sua vez vai trocando com o outro, influenciando a dinâmica de sua vida.
Por essa razão é realizada uma investigação em todos os âmbitos que estão inseridos de forma a contribuírem com o processo diagnóstico e de forma compartilhada, para detectarmos a real importância depositada pela família, o seu comprometimento com o problema (fracasso escolar), a importância que a aprendizagem tem para eles, como é a relação familiar em que esse sujeito está inserido, para uma possível intervenção no futuro.
O sujeito também é observado em todos os seus aspectos: emocional, mental e psíquico, pois estes podem contribuir juntamente com a relação dele com o conhecimento para um possível “fracasso escolar” ou não. Quando o caso é orgânico devemos encaminhá-lo para outros profissionais como fonoaudiólogos, psicólogos trabalhando em parceria com os mesmos.
A sensibilidade do Psicopedagogo é muito importante durante o processo de avaliação diagnóstica, em perceber todo o processo investigativo e observador do sujeito que esta sendo investigado, bem como, de sua família e da escola da qual pertence. Deve estar atento se há de fato problemas orgânicos, o que representa o saber, como também, o não saber, o papel que a família atribui para a criança, detectar o real motivo da procura a um Psicopedagogo. E para que ocorra eficazmente deve-se levantar questionamentos que busquem responder essas questões acima levantadas.
A partir de todas estas questões é possível que concluam o diagnóstico de forma a determinar quais serão os instrumentos, as técnicas e intervenções utilizadas para os encontros futuros psicopedagógicos.
E por fim procurar superar as dificuldades no processo de aprendizagem e conseqüentemente contribuir para que o sujeito consiga construir seu próprio conhecimento, tornando um se autônomo e seguro.
Segundo Sara Pain (pág 36, 1992), o diagnóstico contribui com o processo de reconhecimento de si mesmo.

II. Etapas da Avaliação Diagnóstica.
Como processo que é em si mesma e para a futura intervenção, observamos no tópico anterior a importância da Avaliação Diagnóstica e o que ela representa. Por isso, neste momento trataremos de expor etapas importantes e necessárias na Avaliação Diagnóstica.
Essas etapas contribuem para que a própria Avaliação seja um processo e que forneça dados para a futura intervenção que deverá centrar-se intimamente com a(s) queixa(s), considerando sempre o significado, as causas, as dificuldades da demanda apresentada, como já vimos anteriormente. As etapas, aqui descritas, a seguir, serão: o motivo da consulta, a história vital, a hora do jogo, as provas de diagnóstico operatório, as provas projetivas, e por fim, a análise do ambiente.
A primeira etapa, nomeada como “motivo da consulta”, será um momento de entrevista para conhecer o(s) motivo(s) pelo qual a possível intervenção está sendo solicitada, além de mostrar se a queixa do indivíduo/paciente é própria ou está sendo colocada de fora dele – para ele. Faz-se importante uma conversa com os pais, preferencialmente com o casal, para que o significado do não aprender, tabus e segredos, a cumplicidade do casal e o vínculo familiar (as modalidades de comunicação do casal e função do terceiro) possam ser conhecido pelo profissional da Psicopedagogia.
Será importante investigar quais são as expectativas trazidas pelos pais quanto a intervenção. Muitos pais mesmo tendo solicitado e trazido o indivíduo/paciente até o consultório e assumido as conseqüências apresentam obstáculos e resistências à ação do Psicopedagogo. Pain (1985, pág 40) ainda lembra que o significado do sintoma apresentado para a família será a imagem que os pais têm das causas e motivos que geram a queixa e os mecanismos colocados ao serviço da defesa contra a desvalorização social, que está relacionado com a instituição escolar, na maior parte dos casos.
A “hora do jogo” é uma etapa bastante importante para o primeiro contato do Psicopedagogo com o indivíduo/paciente, pois possibilita uma aproximação com o mesmo para observar na atividade lúdica os esquemas que organizam e integram o conhecimento num nível representativo por meio da observação.
Para está etapa, vamos necessitar de uma caixa que deverá conter: paralelepípedos de construção; fitas adesivas; papéis de diferentes formatos, cores e texturas; clips; cordões; tintas, pincéis, esponjas; massinhas; lápis de cores; borracha, etc. A caixa deve ser apresentada para a criança que será convidada a ficar a vontade para explorar o que quiser e da maneira que achar melhor enquanto a observação vai sendo feita e registrada a atividade.
A etapa da “história vital” deverá ser efetuada com a mãe, depois que o profissional conhecer a criança, para orientar essa próxima etapa, de forma que vá buscar informações nas áreas que concebeu mais relevante, deve ser feita de maneira que a mãe se sinta à vontade e com muita liberdade para que o diálogo seja espontâneo para os possíveis esclarecimentos.
Deve-se buscar nesta entrevista/conversa informações como os antecedentes natais de pré-natal, perinatais e neonatais; antecedentes sobre possíveis doenças, seu tratamento e sua recuperação; os desenvolvimentos motor, da linguagem e de hábitos de independência; aspectos da aprendizagem tais como esquemas assimilativos-acomodativos, lúdicos e imaginativos, história escolar e informação.
A etapa das provas operatórias pode levar algumas sessões de atendimento com o indivíduo/paciente já que ela é constituída de um interrogatório em várias provas específicas de experimentação da Espistemologia Genética de Piaget, tais como noções de tempo, espaço, conservação, causalidade, número etc.
Durante as provas o Psicopedagogo deverá acompanhar o raciocínio do indivíduo/paciente, no que diz e no que faz, sem que corrija automaticamente as respostas dadas e sem completar o que ele diz. É preciso estar atento as respostas e entender o processo do qual a resposta surge. As justificativas para a respostas dadas auxiliam na compreensão do modo pelo qual o indivíduo/paciente chegou a resposta e as relações que ele vê entre as partes do problema colocado na prova que esta fazendo. A exigência de uma justificativa para as respostas leva-o a refletir sobre a questão podendo demonstrar melhor o seu nível de compreensão do que lhe foi pedido.
Carraher (pág 35, 1992) cita: “Sempre que julgarmos uma resposta vaga ou obscura, precisamos encontrar meios para esclarecer seu significado” durante a realização de uma das provas operatórias.
Cada prova operatória será uma situação experimental bem elaborada que permitirá determinar as potencialidades do pensamento até que ponto foram obtidas ou não tais noções em uma estrutura operatória e se os conceitos resistem às contradições que são dadas como respostas.
As provas projetivas tentam desvendar quais são as partes depositadas em objetos que apareçam como suporte da identificação que obrigam o indivíduo/paciente a representar situações estereotipadas e carregadas afetivamente. Assim era possível avaliar a capacidade do pensamento para construir, no relato ou no desenho, uma organização coerente e harmoniosa e a deterioração que se produz no pensamento quando a quantidade emotiva é muito grande.
Assim, deve-se observar os seguintes aspectos nas provas projetivas: recursos simbólicos para a representação; modalidade do inventário, organização e integração da fantasia; e as perturbações da identidade e a negação.
A próxima etapa aqui descrita contará com um profissional que não o Psicopedagogo, se possível, mas também de grande importância, o assistente social. Para a análise do ambiente contaremos com esse profissional para observar as condições sócio-econômicas; o aproveitamento dos recursos materiais; e a ideologia.
A última etapa, talvez o momento mais importante desta aprendizagem seja a entrevista dedicada à devolução do diagnóstico, entrevista que se realiza primeiramente com o sujeito e depois com os pais.
No caso da criança, é preciso fazer a devolução utilizando-se de uma linguagem adequada e compreensível para sua idade para que não fique parecendo que há segredos entre o terapeuta e os pais, ou que o terapeuta os traiu (WEISS 1992, p. 130).
É perfeitamente normal que, neste momento, exista muita ansiedade para todos os envolvidos no processo, seja o psicopedagogo, o paciente e os pais. Muitas vezes algumas suspeitas observadas ao longo do diagnóstico tendem a se revelar no momento da devolução
É importante que se toque inicialmente nos aspectos mais positivos do paciente para que o mesmo se sinta valorizado. Muitas vezes a criança já se encontra com sua auto-estima tão baixa que a revelação apenas dos aspectos negativos acabam perturbando-o ainda mais, o que acaba por inviabilizar a possibilidade para novas conquistas.
Depois deverão ser mencionados os pontos causadores dos problemas de aprendizagem.
Posterior a esta conduta deverá ser mencionada as recomendações como troca de escola ou de turma, amenizar a super-proteção dos pais, estimular a leitura em casa etc, e as indicações que são os atendimentos que se julgue necessário como psicopedagogo, fonoaudiólogo, psicólogo, neurologista etc.
Em casos de quadros psicóticos, neuroses graves ou outras patologias, é necessário um tratamento psicoterápico inicial, até que o paciente atinja um ponto tal que tenha condições de perceber a sua própria necessidade de aprender e crescer no que respeita à escolaridade; é preciso que se instale nele o desejo de aprender (Weiss, 2003, p. 136).
Muitas vezes faz-se necessário o encaminhamento para mais de um profissional. E isto complica quando a família pertence a um baixo nível socioeconômico. É importante que no momento da devolução o psicopedagogo tenha algumas indicações de instituições particulares e públicas que ofereçam serviços gratuitos ou com diferentes formas pagamento. Isto evita que o problema levantado pelo diagnóstico não fique sem uma posterior solução.
O informe é um laudo do que foi diagnosticado. Ele é solicitado muitas vezes pela escola, outros profissionais etc. Quaisquer que sejam os solicitantes é importante não redigir o mesmo laudo, pois existem informações que devem ser resguardadas, ou seja, para cada solicitante deve-se redigir informações convenientes. Sua finalidade é “resumir as conclusões a que se chegou na busca de respostas às perguntas que motivaram o diagnóstico” (Id. Ibid., 2003, p. 138).
Pain (1992) ainda traz outras duas etapas aqui não descritas, pois concebem uma abordagem não desenvolvida durante a disciplina de Intervenção Clínica, porém elas são as etapas das provas pscicométricas que controlam em mensuração as habilidades mentais e as provas específicas que cabem ser avaliadas junto de uma equipe multidisciplinar.


III. Características e Modelos dos Relatórios de Avaliação Diagnóstica.
Como temos observado, a Avaliação Diagnóstica pretende responder algumas questões particulares do sujeito ao aprender, no seu convívio e nas relações que vai estabelecendo com os grupos sociais que tem contato, além de responder sobre como esse sujeito carrega a função do não aprender.
Partindo então da necessidade de conhecer como o outro aprende e como se dá essa relação com o conhecimento, os relatórios de um processo de Avaliação Diagnóstica deverão fundamentar-se numa teoria, que tanto poderá, erroneamente, ser ingênua e simplista, quanto de uma teoria elaborada cientificamente no qual diversos fatores são relacionados e consideradas.
Dentro destes, Parente (2000) irá dividi-los em dois grupos de relatórios: os descritivos e os interpretativos. No grupo dos relatórios de avaliações diagnósticas descritivos estão assim compreendidos pela autora:
1. Tautológico – são relatos que repetem um conceito já conhecido pelos pais ou professores. Não acrescentam nenhuma informação;
2. Psicométricos – descrevem apenas as disposições cognitivas e reativas à partir de uma situação específica de testes, sem que nada indique sobre a maneira particular de construção do comportamento durante os testes;
3. Afetos “hic et nunc” (aqui e agora)– descrição superficial do “sofrimento”, com tonalidade dramática, de caráter transferencial, mas que não serve para compreensão;
4. Segundo Tipo de Comunicação – baseado no estudo das relações do indivíduo com os membros da família, na suas atitudes mútuas e suas diferentes maneiras de se comunicar;
5. Família – preocupa-se em descrever os papéis e os lugares ocupados na relação familiar;
6. Biográfico – os acontecimentos, geralmente traumáticos, da história pessoal do indivíduo podem contribuir para compreender a atual situação e assim se estabelece uma relação com o sintoma apresentado;
Nos seis grupos de relatórios de avaliação diagnósticas descritivas, observamos um fiel registro dos comportamentos dentro de uma situação para relacionar com a queixa apresentada.
Os registros de avaliações diagnósticas interpretativos apresentados por Parente (2000) são:
1. Cognitivo Operatório – pretende traduzir o processo da operatividade cognitiva, possibilitando formular uma hipótese sobre a queixa apresentada;
2. Segundo o modelo de Melanie Klein – observa a série de momentos patológicos e/ou traumáticos, para compreender os eu bem estar no futuro dependendo das possibilidades próprias e das situações circundantes a superar;
3. Segundo o modelo de Ana Freud – explica os comportamentos patológicos como tentativas do “eu” para manter o equilíbrio ameaçado, por força das pulsões que enfrentam o super ego;
4. Segundo o modelo de Jacques Lacan – costumam não fazer relatórios escritos, e há preferência por um inconsciente que se orienta para o prazer.
Temos então pareceres teóricos que fundamentam o relatório de uma avaliação diagnóstica, que serve de guia de orientação para a próxima etapa: a intervenção, que não deve trazer apenas “o sucesso social, nem de força uma ‘adaptação’, mas de dar a pessoa suas capacidades e o prazer perdido de conhecer”. (Parente, pág 51 e 52, 2000)








4. Avaliação Diagnóstica e a Intervenção
Gostaríamos de ressaltarmos outro ponto de fundamental importância em relação ao diagnostico psicopedagógico, “ele já é, pó si só uma intervenção junto ao paciente/cliente.”
Sendo assim, tanto na avaliação diagnóstica, quanto na intervenção, em que ocorre o momento da observação e investigação é saber escutar, deixar o sujeito - seja ele criança, adolescente e adulto – falar, pois muitas vezes chega-se com muitas tarefas a serem apresentadas, mas esquece o essencial que é ouvir o que ele tem a dizer seja assuntos trazidos de casa ou até mesmo dos próprios encontros., é a escuta terapêutica do nosso paciente/cliente, que traz informações essenciais para o nosso trabalho com ele, que muitas vezes por um ato de ansiedade do psicopedagogo passa desapercebido.
Ao iniciar a próxima etapa do trabalho psicopedagógico é de suma importância que se inicie o processo de intervenção a partir das capacidades e habilidades que o sujeito tem, facilitando desta maneira uma melhor aproximação dele com o psicopedagogo, pois este irá realizar um trabalho de mediador do sujeito com o objeto de conhecimento, não utilizando estratégias escolares em seu atendimento. Se a intervenção ocorrer de forma contrária, começar a partir das fragilidades e dificuldades, pode acontecer o processo inverso, em que ele se sentirá inseguro, criando até mesmo um ambiente desmotivador e conseqüentemente o desaparecimento a saída do sujeito dos encontros psicopedagogícos.
Durante a intervenção é imprescindível que o psicopedagogo aponte caminhos para que o sujeito busque o prazer e a vontade de aprender ou reaprender e criar maneiras para chegar a isso de forma autônoma, em uma intervenção com base na teoria construtivista.
Quando falamos de capacidades e habilidades não se pode esquecer das múltiplas inteligências que se bem trabalhadas, a aprendizagem ocorre de maneira significativa.
Nesta perspectiva, é importante que o psicopedagogo tenha certa flexibilidade para trabalhar sobre essa direção, pois desta forma ele estará respaldado de diferentes linguagens e recursos para alcançar de fato o desenvolvimento e a aprendizagem do sujeito, nas intervenções. Muitas vezes o psicopedagogo pode se deparar com situações em que ele terá que apresentar outras maneiras de trabalho, ou seja, nem sempre aquilo que ele pretende fazer em certo atendimento conseguirá aplicar, pois a cada encontro há surpresas e para que não se depare com essas situações é importante ser flexível para modificar seu atendimento quando necessário.
Enfim, tanto na avaliação diagnóstica quanto na intervenção o que se busca é criar condições em que o paciente/cliente em seu processo cognitivo/afetivo se desenvolva, não impondo o aprendizado, mas que este ocorra de forma efetiva, estimulando o sujeito a procurar estratégias para que busque novamente o interesse pelo saber.


V- Conclusão

“Fernández (1990) afirma que o diagnóstico, para o terapeuta, deve ter a mesma função que a rede para um equilibrista”. É ele, portanto, a base que dará suporte ao psicopedagogo para que este faça o encaminhamento necessário.
É um processo que permite ao profissional investigar, levantar hipóteses provisórias que serão ou não confirmadas ao longo do processo recorrendo, para isso, a conhecimentos práticos e teóricos. Esta investigação permanece durante todo o trabalho diagnóstico através de intervenções e da “... escuta psicopedagógica...”, para que “...se possa decifrar os processos que dão sentido ao observado e norteiam a intervenção”. (BOSSA, 2000, p. 24).[1]

O diagnostico deve ser feito com muito cuidado observando o comportamento e mudanças que pode acarretar no sujeito, pois muitas vezes ele é de tal forma significativo que pode mexer tanto com o paciente/cliente e sua família, que por muitas vez chegam a acreditar que o sujeito teve uma melhora ou piorou (ficou mais agressivo/agitado) no decorrer do diagnóstico.
Sendo assim quando vamos fazer um diagnóstico devemos saber o que estamos analisando e para isto precisamos ter um olhar psicopedagógico, que não é olhar psicológico, nem o pedagógico, nem fonoaudiológico, é um olhar transdisciplinar.
Num artigo intitulado “Reflexões sobre o diagnóstico psicopedagógico” de autoria de Selma Benzoni, ela relata uma história de uma aldeia de artesãos no sertão nordestino que elucida muito bem de como se ter este olhar psicopedagógico que vale a pena ser reproduzido:

“Nesta aldeia sempre que um jovem estava pronto para entrar na comunidade de artesão, o mais velho deles pegava a sua produção cerâmica mais bonita e presenteava o jovem. O jovem pegava a peça, quebrava, juntava com barro novo e produzia a sua primeira peça de cerâmica. Nesta peça existia o velho e o novo, mas não era possível saber o que era do velho e o que era do novo.”

E assim é o olhar psicopedagógico, temos a contribuição de nossa graduação juntamente com o novo olhar, sem que consigamos muitas vezes diferenciar o que é novo e o que é velho, criando assim uma terceira produção, que é a nossa produção. [2]
Após este olhar atendo e diferenciado, (o que em nenhum momento descarta o apoio de outros profissionais quando percebemos que a dificuldade apresentada pelo nosso paciente/cliente não é de nossa área) e que chegamos a conclusão do diagnóstico devemos partir para a próxima etapa, a devolutiva que é muito importante e delicada tanto quanto todo o processo já descrito anteriormente.
Um cuidado que devemos ter a este cuidado é que o relatório, (não damos laudos)é solicitado muitas vezes pela escola, outros profissionais etc. Quaisquer que sejam os solicitantes é importante não redigir o mesmo relatório, pois existem informações que devem ser resguardadas, ou seja, para cada solicitante devem-se redigir informações convenientes.
“O olhar psicopedagógico e a escuta psicopedagógica tem por objetivo não a classificação do indivíduo em disléxico, distraído, discálculo, hipercinético e tantos outros rótulos que encontramos por aí, mas sim verificar como o ensinoaprendente está aprendendo e o que está dificultando o desenvolvimento de suas potencialidades. Temos que deixar de “medicalizar” ou “psicologizar” o aprender. Só assim poderemos intervir de maneira adequada.Portanto durante o atendimento psicopedagógico temos que pensar o ensinoaprendente
“Como alguém capaz que vive em um contexto familiar, escolar e social específico e de que maneira vivencia estes espaços de maneira diferente; só assim poderemos ajudá-lo a ser autor e não só ator de sua própria história” (Fernandez, 2001).




VI- Referências Bibliográficas
§ FERNANDEZ,Alicia. Inteligência Aprisionada. Porto Alegre. ArtMed.1990.
§ PAIN, Sara. Diagnóstico e Tratamento dos Problemas de Aprendizagem. Porto Alegre. Artes Médicas. 1985.
§ BARRETO, Marcelo e BARRETO, Monique. Revista Psicopedagógico.2005.
§ SAMPAIO, Simaia site: http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp
§ BENZONI, Selma, site: http://www.abpp.com.br/artigos













[1] Sampaio, Simaia . http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp

[2] Benzoni, Selma. http://www.abpp.com.br/artigos

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